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Pensando n'Ele

Mesmo depois de um ano e meio, eu ainda penso n'Ele: o Padre Gato. Maior que deus e mais humilde que o mesmo, o Padre Gato não é um personagem qualquer, ele é um fenômeno. (Perdendo apenas para o ator Jo Jung-Suk, o fenômeno dos fenômenos, mas isso é outra história.)  Admito: não entendia por que tantos falavam do Padre Gato. Na época, não tinha conseguido ver nem o primeiro episódio da primeira temporada inteiro de Fleabag, e vi fotos do que alegavam ser o Padre Gato e pensava: mas... ele não é gato... Até que aconteceu. Eu vi a segunda temporada e fui destruída por Ele, o Padre Gato. Muitos podem achar que o apelo do Padre Gato é o fato de aquele ser um amor impossível, mas eu digo aqui com tranquilidade: todas essas pessoas estão erradas.  O Padre Gato é objetivamente gostoso? Sim. Tira a cabeça e deixa o corpo e você verá um homem gostoso.  O Padre Gato é objetivamente ridículo comprando roupas de padre e sendo perseguido por raposas? Sim. E eu o amo por isso. Mas iss...

AI COÉ

Não sei quem por aí tá sabendo do Barack Obama Book, mas é basicamente uma biografia do Obama escrita por um AI (inteligência artificial) e que chegou em posição 114 na Amazon, e em primeiro no corte de lideranças políticas. Como uma pessoa que tenta evitar estadunidenses, eu só vim a saber disso pela newsletter Garbage Day , que é um excelente resumo da bagunça que é a internet - e que sempre me faz refletir sobre dinâmicas e fenômenos on-line e como eles refletem na vida pra além das telas (um assunto que tem me interessado cada vez mais). Dessa vez, ao falar sobre o Barack Obama Book, o Ryan Broderick (autor da Garbage Day) contou que um medo que ele tem é de chegarmos a um ponto de distopia em que só as classes mais ricas têm acesso a arte e entretenimento feitos por humanos, enquanto o povo é alimentado apenas por entretenimento gerado por AI. E por mais que eu acredite que, como humanos, nós sempre vamos dar um jeito de produzir arte e cultura independentemente do que o mainstre...

tropa da trupe da trope

 Numa entrevista com uma autora de ya, uma blogueira de livros perguntou: "quais tropes podemos esperar do seu livro?". Pedindo pra seguir o fio, autores, blogueiros e outras pessoas que trabalham diretamente com livros colocam certas tropes como motivação pra ler um livro: enemies to lovers; fake dating; mutual pining; nerds in love etc. Pessoal no tuíter vira e mexe cria alguma corrente sobre tropes preferidas, eu também entro nessas. Tudo parece normal, natural.  Trope, ou "tropo" se formos usar o termo em português, na literatura, é uma figura de linguagem que serve pra uma porrada de coisa, mas nesse contexto ela basicamente quer dizer clichê. No cinema, o conceito derivou um pouco, sendo definido como "uma imagem universalmente* identificada embutida de várias camadas de significado contextual, criando uma nova metáfora visual". Me parece uma forma mais generosa de se pensar um clichê, entendendo que ele pode ser bem usado e trabalhado. Quando o clic...

O autor está morto e eu o invoquei

Eram onze e meia da noite outro dia quando pensei: epa, talvez o problema seja que as pessoas não entendem o que significa quando alguém diz que o autor tá morto. Então fiz o que faço num momento como esse: passei meia hora mandando mensagem sobre o assunto pra minha amiga, que estava dormindo. As mensagens começaram bem, analíticas, tentando conectar os pontos, mas depois de meia hora digitando no celular as coisas desandam um pouco, com mensagens como "PAAAAA!!! Problematizeri" [sic] e alguns xingamentos, é verdade. Mas, ainda assim, no fim de tudo, eu disse que ia fazer um luigi board ou jogo do copo pra invocar o Barthes e escrever um novo artigo, que se chamaria O AUTOR ESTÁ MORTO E EU O INVOQUEI. Eu não invoquei o Barthes de verdade, porque não mexo com isso de espírito. E nem vou escrever um Artigo, porque não me odeio. Mas o texto tá aqui de qualquer forma: Talvez o problema seja que as pessoas não entendem o que significa quando alguém diz que o autor tá morto. Dize...

maior que um tuíte, menor que um artigo

tenho passado muita raiva na internet - em especial nas redes sociais, mais especial ainda no tuíter. não importa quantas palavras eu silencie pra sempre (42 e contando), ou contas (43 e contando) ou mesmo quantas contas bloqueie (249 e contando), sempre chega aquele momentinho do dia que é necessário mandar a mensagem "amiga, posso reclamar?" no famigerado privé (lê-se: privê) pra uma amiga.  parar de reclamar "publicamente"* nas redes sociais foi algo que me fez bem. apesar de muitas vezes ainda ter o impulso reativo, não jogar isso pra qualquer pessoa que acessa o meu perfil me ajudou a fazer a raiva ou indignação ou putidão passar mais rápido (não tem o alimento das curtidas, comentários e compartilhamentos), o que já melhorou muito minha qualidade de vida. mas mais que isso: trazer essas reações para conversas com apenas uma amiga, em privado*, passou a ser uma forma importante de entender melhor o que exatamente me faz reagir com qualquer que seja a emoção que...