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Minha melhor amiga, Edi Pirona

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Como virginiana, eu penso muito em remédio. Não é nada demais, honestamente, é só que vira e mexe penso: porra, alopatia é dez. Uma bolinha ali que tu engole e resolve todas as suas dores físicas, às vezes emocionais (um bj às tarjas pretas que existem pelo mundo a fora), é tudo de bom. Não que eu seja uma doida hipocondríaca, nada disso, é só que a medicina é incrível. E, sim, é claro que existem outras excelentes soluções naturais, claro que existem. Mas acontece que fui vítima de uma tilelê homeopata e, por causa dela, fui parar no hospital sem conseguir pisar no chão por causa de uma crise alérgica, então, assim, eu diferencio muito bem quando meu corpo pede a hora do chá, a hora da acupuntura e a hora do remédio. Todos são ótimos. Mas a alopatia tem uma potência única. Algo que está no seu devir. Algo que nada que não é uma farmacêutica malvada que rouba nossos dados e ganha uma quantidade insana de dinheiro vai conseguir nos fornecer. Nunca. Durante todos esses anos como virginia...

Fim da picada

Não sei quando isso de spoiler se tornou o que se tornou, mas particularmente me cansa. Nada contra você pessoalmente não querer saber o final de uma obra que cê tá lendo/ assistindo, mas isso ser Uma Questão toda vez que estamos falando de histórias é cansativo, porque se a gente não pode tratar sobre o final, a gente não pode elaborar críticas completas, e daí temos que nos contentar com mais um texto sobre As Mulheres De [Qualquer Bosta] ™ , algo que é impossível de satisfazer de verdade qualquer pessoa que pense um pouco.  Eu não sei qual é a causa e qual é a consequência (até porque não dediquei muito tempo da minha vida refletindo sobre isso), mas é óbvio que essa cultura de "sem spoiler" está relacionada de maneira intrínseca à maneira com obras mainstream têm sido produzidas [vide Marvel escondendo dos próprios atores com quem eles deveriam estar na cena?!??! BABACAS]. E é claro que a produção afeta a recepção e a recepção afeta a produção - afinal, a vida é complexa....

AI COÉ

Não sei quem por aí tá sabendo do Barack Obama Book, mas é basicamente uma biografia do Obama escrita por um AI (inteligência artificial) e que chegou em posição 114 na Amazon, e em primeiro no corte de lideranças políticas. Como uma pessoa que tenta evitar estadunidenses, eu só vim a saber disso pela newsletter Garbage Day , que é um excelente resumo da bagunça que é a internet - e que sempre me faz refletir sobre dinâmicas e fenômenos on-line e como eles refletem na vida pra além das telas (um assunto que tem me interessado cada vez mais). Dessa vez, ao falar sobre o Barack Obama Book, o Ryan Broderick (autor da Garbage Day) contou que um medo que ele tem é de chegarmos a um ponto de distopia em que só as classes mais ricas têm acesso a arte e entretenimento feitos por humanos, enquanto o povo é alimentado apenas por entretenimento gerado por AI. E por mais que eu acredite que, como humanos, nós sempre vamos dar um jeito de produzir arte e cultura independentemente do que o mainstre...

tropa da trupe da trope

 Numa entrevista com uma autora de ya, uma blogueira de livros perguntou: "quais tropes podemos esperar do seu livro?". Pedindo pra seguir o fio, autores, blogueiros e outras pessoas que trabalham diretamente com livros colocam certas tropes como motivação pra ler um livro: enemies to lovers; fake dating; mutual pining; nerds in love etc. Pessoal no tuíter vira e mexe cria alguma corrente sobre tropes preferidas, eu também entro nessas. Tudo parece normal, natural.  Trope, ou "tropo" se formos usar o termo em português, na literatura, é uma figura de linguagem que serve pra uma porrada de coisa, mas nesse contexto ela basicamente quer dizer clichê. No cinema, o conceito derivou um pouco, sendo definido como "uma imagem universalmente* identificada embutida de várias camadas de significado contextual, criando uma nova metáfora visual". Me parece uma forma mais generosa de se pensar um clichê, entendendo que ele pode ser bem usado e trabalhado. Quando o clic...