Notas sobre todas as músicas de Hamilton traduzidas, uma a uma [primeiro ato, parte 1]
Outro dia contei um pouco sobre como foi traduzir Hamilton e fiquei de voltar aqui pra contar um pouquinho mais do processo da tradução de cada música. É o que vim fazer hoje.
Tentei meu melhor pra descrever como foi o processo de tradução, mas admito que já faz um tempo que traduzi isso e a minha memória é um lixo. Também grande parte do processo aconteceu enquanto eu tava sob efeito do meu remédio de insônia, mas, pfvr, não contem isso pro meu psiquiatra. De qualquer forma, queria registrar aqui que durante todo o processo tive ajuda de muitas amigas que me ajudaram com rimas, palpites, interpretações, piadas e elogios em todas as músicas. Muitas amigas tiveram a tremenda paciência de discutir comigo o que funcionava e não funcionava de cada verso traduzido. Esse foi um trabalho que começou porque sou maluca, mas continuou porque tenho amigas incríveis. E, ok, isso é de outro musical, mas a real é que todos juntos somos forte, somos flecha e somos arco. Então, queria deixar registrado aqui todo meu amor por todo mundo que leu, opinou e me aguentou cantando por 46 músicas. Eu não seria quem sou hoje sem vocês.
Depois dessa declaração de amor, tudo o que posso é pedir perdão pela inconsistência de pontuação e letras maiúsculas e minúscula que vocês verão nesse post. É que cê começa a ficar meio perdida quando tem 46 músicas pra comentar.
Espero que gostem! E fiquem à vontade pra comentar e batermos papo! Isso deu um trabalho cão e é muito bom poder dividir com outras pessoas. <3
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Alexander Hamilton/ Alexander Hamilton
Essa foi a segunda música que traduzi, porque achei que seria mais fácil. Pra ser honesta, eu nem gostava dela. Sempre julguei todo mundo que diz que gosta porque, na moral, esse musical tem SATISFIED!! e MY SHOT!! e as CABINET BATTLES!!!!! e o povo vem me dizer que gosta de ALEXANDER HAMILTON?!?! Ah, bicho, citando a própria Angélica Schuyler, você me respeite.
MAS, no processo de tradução, acabei desenvolvendo um carinho muito especial por essa música. É ridículo porque nem é pela original. É só que achei minha tradução muito boa mesmo kkkkkk Ela tá muito redondinha e foi um dos primeiros momentos que testei mais rimas internas - o que foi algo que vim a fazer muito durante toda essa tradução, é claro - além de que passar pra métrica foi muito gostoso. Sinto que é uma das traduções mais bem resolvidas e isso aquece demais meu coração virginiano.
Essa música teve muitos mais desafios do que eu esperava, apesar de não ser nenhum "My Shot" da vida.
Alguns desafios e minhas soluções:
1. começando logo no primeiro verso (kkkk), em que tive que resolver como traduzir "bastard" como xingamento. >> acabei optando por "órfão, bastardo, filho duma puta". minha tradução tem muitos, muitos palavrões em partes porque sou desbocada, mas nesse caso também porque "filho da puta" é um dos xingamentos mais comuns no Brasil, soa muito mais ok do que "filho duma vadia" ou qualquer coisa do tipo
2. um jeito legal de dizer "the ten dolar founding father without a father" que mantivesse a aliteração e o trocadilho >> ficou "o pai fundador sem fundos do dólar de dez" e, olha, demorou pra chegar nisso
3. o verso da eliza é INSANAMENTE RÁPIDO!!!! a muié não respira!!! Foi a parte mais difícil dessa música, especialmente pra colocar na métrica. Demorei muito tempo mesmo, mas fiquei bem satisfeita com o resultado final.
Como disse, essa música me dá muito orgulho porque achei que ficou muito redondinha. Aqui vão as minhas duas estrofes preferidas pra vocês:
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Aaron Burr, Sir/ Aaron Burr, Senhor
Essa também foi uma música que traduzi logo no comecinho, mas que mexi muito pra conseguir colocar na métrica depois. Dou graças a deus que Burr rima com "senhor" (na minha cabeça, pronunciado como "s'nhô"). Mas me surpreendeu o quanto foi fácil o tanto de rima com Burr e "senhor" que consegui pensar ao longo dessa tradução. Teve horas que até adicionei rimas que não tinham no original só porque podia, cabia e era coerente com o momento. Língua portuguesa brasileira, te amo.
Foi também a primeira vez que coloquei referências ao rap brasileiro, o que me aqueceu muito o coração, porque queria muito poder honrar essa tradição e passei um bom tempo estudando pra poder fazer isso.
Agora, o maior desafio foi colocar o verso do Hamilton "Sir.../ I heard your name in Princeton/ etc." na métrica. Não tive tanta dificuldade com as partes faladas no geral, mas essa pqp. Acho que, como foi uma das primeiras que traduzi, acabou que ainda não tava esperta quanto a questão de ritmo, então foi mais difícil de mexer na estrutura do verso mais tarde.
Alguns desafios e soluções:
1. rimar palavras com "guerra" não é tão fácil quanto achei que seria, principalmente a rima fazendo sentido em Hamilton. Nesse caso, desisti de tentar ser criativa e o verso lá do Hami dizendo que "wished there was a war etc" >> ficou "deus, tinha que ter uma guerra/ pra provarmos que lutamos/ tanto quanto os sem-terra". esse é um perfil que apoia o mst e o mtst.
2. "do you wanna get ahead/... those who run their mouth off wind up dead" foi difícil de achar algo que rimasse e coubesse na métrica. Queria muito colocar um ditado, mas nada cabia na métrica e fazia sentido ao mesmo tempo. >> no fim, ficou "você quer ir pra frente/... morre quem dá com a língua nos dentes"
3. traduzir o "chik-a pop" do Laurens foi uma Questão por dois motivos. O primeiro é porque essa onomatopeia (dá pra considerar assim?) é recorrente ao longo do musical em momentos de batalhas, então precisava ser algo que evocasse essa ideia de explosão ou alguma outra coisa bélica. O segundo motivo é que é uma referência ao 2pac e eu queria de alguma maneira colocar uma referência, mesmo que não ao 2pac, a algum grande nome do rap brasileiro. Esse foi um trechinho que deixei em inglês por muito tempo mesmo, demorou meeeses até eu encontrar uma solução. >> no fim, acabei optando por "ra-tá-tá", uma referência aos Racionais que captura muito bem esse sentimento bélico do original
Minhas estrofes preferidas:
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My Shot/ Minha Bala
Essa foi, sem dúvidas, uma das músicas mais difíceis de traduzir. Ela é o coração do musical, estabelece 50% dos leitmotifs (porcentagem tirada da minha cabeça) e muito da estrutura de outras músicas. Eu sabia que chegaria um ponto que teria que encarar My Shot, mas, bicho, como foi DIFÍCIL. Evitei o máximo possível e acho que só tomei coragem de verdade verdadeira depois de ter feito uma primeira tradução de Satisfied (outra música difícil pra porra).
Sabe como traduzi metade desse musical chapada de zolpidem? Esse não foi o caso. Passei semanas pensando em qual palavra poderia ter tantos trocadilhos quanto "shot" e quais fariam sentido no contexto do musical. Ouvi essa música muitas, muitas vezes, a ponto de aparecer nas mais tocadas do ano no meu spotify por causa disso.
A primeira coisa que estabeleci foi: "sou igual meu país/ faminto, jovem e de raiz", mas e aí?
POIS BEM.
Acontece que pensei tanto nessa música, que eu SONHEI com a tradução kkkkkkkk. Sério. Teve um dia que fui dormir e sonhei que eu traduzia "My Shot" e a solução do meu inconsciente foi "não vou deixar de mandar bala". Pra uma primeira versão, achei dez. Então, assim que acordei, depois de um momento de reflexão quanto a "mddc o que tô fazendo da minha vida que agora tô sonhando com tradução de hamilton??", peguei na caneta e atei coração com a minha memória. E, bom, mandei bala.
Na moral: a primeira versão ficou bem ruim. Tava meio infantil, super fora da métrica, não tinha quase nenhuma das rimas internas e aliterações da versão original. Mas o lance é: eu sou doida. Eu me identifico com a Angélica Schuyler, que se identifica com Alexander Hamilton. Eu já tinha traduzido umas 10 músicas, não ia deixar as outras 36 de fora.
Então, eu insisti. E fui e voltei e fui e voltei. Porque, às vezes, a gente tem que deixar as coisas meio ruins, seguir a diante, pra depois voltar com a cabeça mais fresca e esperta pra melhorar. Às vezes, a gente tem que voltar na primeira música que traduziu e ver que, doida de zolpidem, cê escreveu "Laurens, não desperdiça a tua bala" e perceber que, epa!, isso tá na métrica! Isso funciona! E daí voltar no que tava ruim e mudar, editar, melhorar.
É engraçado porque tinham coisas que logo de cara eu já tinha resolvido. país/ raiz ou bélico/ famélico, por exemplo. Outras demoraram meses e mais meses. Mesmo coisas simples, como trocar "universidade" por "faculdade" ("vou entrar por cota na melhor das faculdades", HAMILTON, Alexander). Às vezes a cabeça demora pra fazer as sinapses.
Me inspirei, é claro, em muitos rappers pra essa música, mas quando o Laurens começa o whoa whoa whoa, eu me inspirei mesmo foi na Ivete. "Eu disse sai do chão!", uma citação de Ivete Sangalo ou John Laurens? Fica aí a pergunta.
Também me inspirei um pouco em "Morte e Vida Severina" no monólogo do Hamilton: "ó, nunca achei que passaria dos vinte/ de onde venho se morre sem requinte".
Então, ok, essa foi uma das músicas mais desafiadoras de traduzir. Eis aqui alguns desafios e soluções:
1. os cinquenta trocadilhos com "shot", bicho!!!! >> "não vou desperdiçar a minha bala", "geral vê que tá numa fria com a minha bala", "tô no ponto de bala", "pega na minha bala", "vão te meter bala", "manda bala"
2. vocês sabiam que soletrar em português tem métrica diferente que soletrar em inglês?!?! "A-L-E-X-A-N-D-E-R and we are meant to be", com essa desgracinha de "R" e "we are". >> pau no cu do lin, porque ficou "A-L-E-X-A-N-D-E-R não erre pois vamos ser"
3. tantas, tantas rimas internas!!!!!!!!!!!!! >> peguei a letra original, coloquei num docs e marquei literalmente todas as rimas internas e todas as aliterações que encontrei pra me atentar na tradução. Na primeira vez, traduzi só as rimas finais. Depois fui verso a verso tentando inserir rimas internas. Demorou muito e mexi nessa música acrescentando coisas até a última vez que mexi nela. A ponto que agora sei a minha versão de cor e não lembro da original kk
4. sabia que "rise up" seria "levante", mas foi um trabalho de refinaria deixar o "when are theese colonies gonna rise up?" na métrica. >> uma das soluções que aprendi contando sílaba de poema do Camões em aulas de português da escola foi juntar sílabas kk tipo, a gente não fala "que eu", mas "queu". Então, pra muitos dos versos que estavam com uma sílaba a mais na contagem métrica, eu fiz esse esquema de sugestão. Mesmo "minha bala" seria pronunciado mais como "mi'a bala". Tudo foi pensado a partir da fonética do português brasileiro, coisas que já falamos naturalmente. Não saí por aí inventando de cortar palavra aleatoriamente como os paulistas ("quer um peda?", ouvi uma vez uma paulista oferecer um pedaço do que ela comia). Nesse caso, ficou: "quando qu'essas colônias têm um levante?"
Meus versos preferidos: todos kkkkkk mas vou deixar essa aqui do Hamilton
A parte mais engraçada: o Mulligan mandando um "Aê, sou um aprendiz de alfaiate/ Mas aqui sou eu que ensino pra vocês, biscates" kkkkkkk gen z, pfvr, volta com a gíria "biscate"
A parte que me dá mais orgulhinho: "No ato, vamos burlar o bule, é preta nossa infusão". NA MORAL!!!!!!!!!!!!!!!! Essa aqui demorou um tempão pra sair e foi só depois de ouvir muito Emicida, mas PORRA!!!!!!!!!!!!! FICOU LINDA
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The Story of Tonight/ A história dessa noite
É engraçado, porque, na verdade, achei essa música fácil. Acho que tava meio doida de zolpi, já não lembro, mas foi uma que fluiu rápido. O principal aqui é meu agradecimento aos sites de rimas luso-poemas.com e dicionarioinformal (que dava as opções mais absurdas que me faziam rir sozinha toda vez).
Outra coisa é que, nessa música, decidi ser brega. Quer dizer, essa é uma música breguinha, né, então dei uma dos criadores de "Elis, a musical" e mandei um contarem/ cantarem. Não me arrependo.
Alguns desafios e soluções:
1. o que raios rima com "noite"!?!?!?!?! >> deleite
2. o verso mais chatinho na verdade foi "raise a glass to freedom" porque "liberdade" tem muitas sílabas. >> a solução que encontrei foi trocar a ordem da frase: "à liberdade ergam os copos". Foi uma escolha deliberada não dizer "brinde" porque esse verso teria que rimar mais tarde com versos na batalha de Yorktown.
3. "let's have another one tonight"... olha... existem MUITAS formas de pedir mais uma rodada de drinks em português. nós somos um povo que bebe muito!! >> a solução que achei que funcionou melhor foi "me vê mais uma essa noite"
Meus versos preferidos: não gosto muito do "raise a glass to the four of us/ tomorrow there'll be more of us", simplesmente porque repete em vez de rimar. Então decidi mudar isso e ficou um breguinha teatral que gostei, na verdade:
Gosto em especial porque ficou bonito no interlúdio do Laurens como esse verso voltou, com essa ideia de que a revolução não é apenas ficcional, mas sim uma realidade no nosso horizonte.
A parte mais engraçada: essa não é uma música muito engraçada, néam...
A parte que me dá mais orgulhinho: "mas vou pra guerra com deleite" rimando com "contarão a história dessa noite"
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The Schuyler Sisters/ As Irmãs Schuyler
Ok!!!! Mas essa música foi MUITO divertida de traduzir!!!! A primeira versão foi sob efeito de zolpidem e rendeu algumas coisas maravilhosas que decidi manter até o fim, porque humor!!!
Eu amo as irmãs Schuyler, eu amo o tanto que o Burr é lixo nessa música, eu amo o comeback da Angélica, eu só odeio o amor a Nova Iorque, mas isso é porque sou contra os EUA como potência imperialista, porque sou anti-imperialista (apesar de ter traduzido um musical super imperialista. Mas é essa a graça!). Foi muito divertido criar as vozes de cada irmã, o que elas diriam em português mantendo as rimas do original. Eu gosto principalmente da marcação da diferença de valores entre a Eliza ("pessoas na praça a gritar") e da Angélica ("novas ideias pelo ar") e como ambos são personificados no Hamilton.
Essa também foi uma tradução que fiz relativamente no começo, o que significa que tive muita coisa pra ajeitar depois. Foi muito difícil colocar os versos da Peggy na métrica, mas acabou que ficou muito redondinho e fico muito feliz!
Alguns desafios e soluções:
1. o mais importante de todos e que foi bem difícil foi traduzir o "work!". É uma sílaba só e, novamente, uma palavra que tem uma série de significados diferentes na música. >> não consegui manter a sílaba única, mas acho que a solução que encontrei funcionou bem e é possível de cantar: "ação". Ela dá essa ideia de tomar ação, rola com "i'm looking for a mind at work" (outro desafio) e ainda tem essa coisa ~meta~ com o teatro.
2. foi no banho que eu traduzi o "look around, look around" pra "olhe em volta, olhe em volta", mas foi difícil manter o termo na métrica nos versos seguintes - "Angelica, remind me what we're looking for/ She's looking for me!/ Eliza, I'm looking for a mind at work". Até pensei em mudar, mas acho o "olhe em volta" perfeito e muito gostosinho de cantar. Na primeira versão, o termo era "estar de olho", o que funcionava e também ficava um pequeno salve pra uma música que vem mais tarde, "History Has Its Eyes on You" (A História de Olho em Ti). Mas não cabia bem na métrica e depois de um tempo comecei a achar estranho essa repetição de "estar de olho" nesses dois momentos tão diferentes, especialmente porque todas as palavras nesse musical importam. >> no fim, a melhor forma que encontrei pra solucionar essa questão foi "Angélica, me lembra pelo que olhamos/ Ela olha pra mim!/ Eliza, olho por mentes em ação". Teve que ser no plural por causa da métrica - "uma mente" era grande demais. Mas também gosto dessa ideia de que, no fim das contas, a Angelica tá pouco se lixando se é uma ou várias pessoas, ela só quer trocar ideia, tanto que ela tá disposta a bater um papo com o TJeff. Então, assim, não foi a solução 100% ideal, mas acho coerente com a personagem e funciona.
3. não foi uma questão de métrica, MAS foi muito difícil me acostumar a cantar invertido: "Tenho lido Thomas Payne, Senso Comum", que rima com o verso seguinte "Logo falam que sou insana ou sem jeito algum". Aliás, já que estamos aqui, manter o uso de "insana" foi deliberado dado que logo na primeira música também chamam o Alex de insano e o grande lance de Hamgelica é que eles são iguais.
4. a parte que citam lá algum documento estadunidense, queria usar a tradução original mas RISOS era o dobro do tamanho. >> cortei e ficou "julgamos como por si evidentes que todos os homens são criados iguais"
5. a aliteração de "revolution is happening in manhattan and we just happen to be-" também foi complicada >> depois de muitas mudanças, ficou "a revolução acontece nessa cidade e acontece que estamos-". Gosto que tem uma energia meio cobra, ssss.
Meus versos preferidos: o comecinho, que pra mim é um recado geral pros meus conterrâneos da FFLCH
A parte mais engraçada: essa estrofe toda aqui do Burr me faz rir sozinha. Obrigada, zolpi 🙏
A parte que me dá mais orgulhinho: logo depois dessa estrofe, a interação entre a Angélica e o Burr ficou muito boa. "Burr, tu é um lixo/ Ah, de mim cochicham!/ Sou garantia, mô, te faço um capricho". Foi bem difícil de manter a aliteração com métrica e ainda essa referência às mulheres terem que casar com ricos pra sobreviverem, mas no final eu consegui e acho que também delineei bem o tom de cada personagem. Parabéns pra mim!
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Farmer Refuted/ Fazendeiro Refutado
Mano. Pau no cu dessa música. Pau no cu do Lin. Falo aqui sem NENHUM respeito.
Difícil pra PORRA!!!! Comentei lá no primeiro post que as músicas mais difíceis foram as harmônicas, mas esse rap aqui é o mais filho da puta de todo o musical. Mil vezes pior que "Guns and Ships". Mil vezes pior que "Washington on Your Side" também. DESGRACERA!!!!!
Com as músicas mais difíceis, o que costumava fazer era primeiro traduzir tudo mais ao pé da letra. Tipo, o que tá sendo dito aqui na superfície? É isso? Dez, então escreve. Depois disso só que começava a ajeitar rimas, termos, aliterações etc. Acontece que, pra essa música, não dava muito pra fazer isso, porque literalmente cada frase depende das anteriores. Então, bom, eu me fodi.
Como resolvi a questão? Bom, primeiro eu xinguei muito o Lin e a língua inglesa, num geral. Depois, separei só os versos do Seabury, sem nenhuma intervenção dos outros personagens gritando, e traduzi como uma música só, já mantendo o máximo possível da métrica. Essa foi uma das últimas músicas que traduzi, então eu já tava mais esperta pra questão de ritmo aqui, o que foi fundamental.
Depois de traduzir a parte do Seabury, comecei a traduzir as outras coisas. Mas, olha, isso aqui é o pão que o diabo amassou. Uma coisa boa é que descobri que "interesses" rima com "vocês"!
Dito tudo isso, é MUITO divertido cantar a voz que inventei pro Seabury, que é a mais ridícula de todas.
Alguns desafios e soluções:
1. TUDO foi um desafio. Mas, como falei, o que mais pegou foi isso da métrica. Não só tinha que ter o mesmo número de sílabas quanto tanto o Hamilton quanto o Seabury tinham que falar certas palavras juntos, então não dava pra pirar muito nos versos. Fiz a contagem de métrica como sempre (contando em palitinho), mas não foi o suficiente. >> pra me certificar, cantei a tradução junto com a original muitas vezes. Primeiro, pra ver se a parte do Seabury batia por si só. Depois, pra ver se a parte do Hamilton batia. Daí, pra ver se as tônicas estavam caindo no mesmo lugar. Então, enquanto o Seabury cantava a parte dele, eu fazia o rap do Hamilton. Depois, enquanto o Hamilton fazia o rap, eu cantava o Seabury.
Também tentei escalar minha amiga Jumed pra cantar comigo (eu imprimi todas as 163 páginas, estávamos as duas com o documento aberto em nossos computadores, tudo espalhado pelo chão do meu quarto, foi loko), mas ela travou legal nessa parte, então não deu muito certo esse método. Tive que me contentar com a contagem da métrica e meu surto descrito no parágrafo anterior.
Minha estrofe preferida:
A parte mais engraçada: "que o rei não use spray de pimenta/ ele vai no esquenta?" kkkkkkkkkkkk
A parte que me dá mais orgulhinho: "Por que uma ilhota d'outro lado do mar devia regular o preço do chá?" faz isso aqui no flow, viado!!!!!
Essa aqui também foi uma das primeiras que traduzi e mddc como amo.
Assim que peguei essa letra pra traduzir, sabia que ia transformar o rei palerma e boçal em um rei português. Pois, além de engraçado, eu queria muito essa tradução de cultura. E, bom, apesar do nosso ouro estar todo na Inglaterra, nós fomos colonizados por portugueses néam.
Também queria fazer alusão tanto à tradição literária portuguesa (cof cof Camões cof cof), mas também queria dar um jeitinho de colocar algo relacionado à ditadura militar. Ou seja, basicamente, alusões a governos ditatoriais. A gente tem muitos na história do país, mas achei que algo relacionado à ditadura militar era particularmente importante por estar tão próximo e vivermos ecos muito fortes dela até hoje.
Acredito que essa é a música que mais mudei coisa por conta disso. Tiveram muitas referências a questões muito próprias do Brasil - do hino nacional ao carnaval -, mas acho que elas couberam bem. O recado é o mesmo e a estrutura da música também continuou igual.
Alguns desafios e soluções:
1. rimas com "triste" são DIFÍCEIS!!!!!! >> "Por que tão triste?/ Lembra-te do acordo que fizemos quando partistes"
2. algumas coisas eu sabia que queria traduzir a cultura e, pra isso, mudava bastante os versos. "we have seen each other through it all", por exemplo, ficou "juntos fizemos o que as Musas cantam" (oi, lusíadas) e isso teve que mudar o verso anterior >> então troquei a ordem: "impérios caem, mares levantam", acho que perde um pouco na dicotomia do "fall" ser a nota mais alta, mas traduzir é também perder coisas
3. "for your love, for your praise/ I will love you till my dying days" na primeira versão tinha tentado colocar uma referência ao hino nacional, daí tinha ficado "Pelo teu amor, pelos teus braços fortes/ Irei amar-te até minha morte" mas, além de não caber na métrica, me pareceu excessivamente homoerótico; e isso falo eu, que literalmente transformei o HamilSquad em um bonde de gays baludas >> depois de uma pequena mexida, o resultado foi abandonar a tentativa de citar o hino e ficou ainda bem brasileiro: "pelo teu amor e teu carnaval/ hei de amar-te até meu dia final"
4. "forever and ever and ever" demorou pra clicar >> ficou "pra todo, todo, todo sempre"
Meus versos preferidos: gosto muito da tradução como um todo, mas aqui um trechinho que adoro
A parte mais engraçada: acho que a graça tá no geral????
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Senhoras e senhores!!! O momento que esperavam!!! O orgulho de Clara Browne!!!!! O BRAÇO DIREITO!!!!!!!
Ok. Eu tava MUITO animada pra traduzir o GWash e essa música foi muito, muito gostosa de traduzir. Isso é meio engraçado de dizer dado que foi uma música com muitos desafios de rimas internas MAS!!!! o lance é que genuinamente me divirto com isso e, como já comentei, tive mais facilidade com os raps e as partes faladas do que com os versos cantados. Acho que tem um quê de pegar o flow e, pra mim, o flow dessa música funciona muito. Eu também já tava aquecida quando me meti pra traduzir essa aqui, o que facilitou algumas coisas.
Alguns desafios e soluções:
1. a parte mais difícil dessa música, por mais bizarro que pareça, é não fazer tudo soar extremamente sexual. Eu nem sou uma shipper de Hamilton/ Washington, mas a esmagadora maioria dos versos soa muito sexual nessa música. Tudo parece masturbação mútua, gente, e isso não tem nada a ver comigo, foi o Lin que escreveu. Juro que tentei meu melhor pra dar uma aliviada, até porque já tava achando que tava mais gay do que deveria (o original é bem gay, mas mesmo assim, essa versão tem o bonde do Hamilton tomando BALA) >> como resolvi? Bom, tem um verso que ficou "preciso de ti pra tirar a tensão", então não diria que resolvi.
2. o tanto de rimas internas dessa música não e de deus, mas néam GWash é sábio nesse musical e isso se mostra através de rimas internas >> fiz o mesmo esquema que em Farmer Refuted de marcar TODAS as rimas internas e aliterações num esquema de cores no word e, bom, dar um jeito.
3. "outgunned/ outmanned/ outnumbered/ outplanned", osso >> não é meu preferido, mas ficou na métrica e dá o recado: "sem armas/ sem homens/ sem números/ sem planos"
4. colocar "Any hope of success is fleeting/ How can I keep leading when the people I'm/ Leading keep retreating?" na métrica demorou MILÊNIOS >> ficou "Qualquer fé num troféu é fugaz/ Como posso seguir na liderança/ Se essa aliança vai pra trás?"
5. e logo em seguida o "Knight takes rook, but look", pau no cu >> o melhor que consegui foi "cavalo come torre, mas porra" kkkkkk
6. outro problema que encontrei ao traduzir essa música é que não tenho o menor conhecimento de termos bélicos. tipo, nadica de nada. sou de uma família que odeia milico e sou contra a própria existência da polícia, sabe? acho que até hoje não sei qual seria o termo correto ideal pra "incoming", apesar de ter pesquisado muito >> da primeira vez que peguei nessa música, não traduzi essa parte. deixei em inglês pra ver depois o que fazer com isso. depois de algumas revisões, eu tava cansada e sem saber o que colocar, então coloquei "madeiraaaa" kkkkkkkkkk por motivos óbvios, desde que escrevi isso sabia que ia mudar. mas, às vezes, a gente precisa registrar nossas ideias ridículas pra chegar em algo melhor. a versão atual e final está como "ataque"
7. "On the contrary/ I called you here because our odds are beyond scary/ Your reputation precedes you, but I have to laugh/ Sir?/ Hamilton, how come no one can get you on their staff?" outra partezinha especialmente chatinha >> essa aqui foi debatida com algumas amigas e apenas depois de um café com minha amiga Rafa em que levei pra ela ler as 163 páginas impressas (e ela quase morreu do coração nesse dia) que debatemos o termo e consegui chegar em: "Ao contrário/ Te chamei porque as chances são o obituário/ Sua reputação precede, mas eu racho o bico/ Senhor?/ Hamilton, por que ninguém te põe em seu exército?"
Meus versos preferidos: gosto muito mesmo de como essa música se deu na sua totalidade, mas acho que nada é mais satisfatório do que essa estrofe aqui:
A parte mais engraçada: eu me mijo com isso aqui
A parte que me dá mais orgulhinho: puts, tem TANTAS!! Na moral, mal acredito que consegui traduzir essa música. Mas o uso de "truta" como marcação de gerações diferentes foi um diferencial
Sabe quando cê vê um musical traduzido e tem uma música que enfiam um ritmo brasileiro do nada e cê acha horrível e sente aquela vergonha alheia dos atores pagando aquele micão? Então. Essa é a música que eu queria transformar em um funk.
Calma. Traduzi seguindo o ritmo original e a métrica e tá toda certinha. Mas é claro que, chapada de zolpidem, escrevi uma versão baile funk que tá absurda e, portanto, deixo aqui:
Alguns desafios e soluções:
1. o grande desafio dessa música foi escolher o melhor termo pra "LADIES" >> tem uma lista gigantesca de termos que pensei: madames, novinhas, arrobas, gatas, gatinhas, minas, agora daria até pra dizer mandraka. mas, na moral, numa música chamada BAILE de inverno, teve que ficar "tchutchuca". obrigada por tudo, bonde do tigrão
2. os versos "there are so many to deflower" e "looks! proximity to power!" foram os mais complicados de colocar na métrica de um jeito legal >> a solução ficou: "são tantas pra seduzir!" e "farda! isso que é poder"
3. "Yo, if you can marry a sister, you're rich, son/ Is it a question of if, Burr, or which one?" >> um dos melhores truques que dá pra aplicar nessa tradução dado que o próprio Lin faz isso no original é a aplicação de gírias pra resolver rimas. No caso, essa se tornou um dos meus versinhos preferidos
Meus versos preferidos:
A parte mais engraçada: definitivamente o grito de "ladies" que virou TCHUTCHUCAS
A parte que me dá mais orgulhinho: "Agora Hamilton com a caneta é porreta"Taí uma música que traduzi doidássa de zolpidem. A primeira versão tinha muitas coisas insanas, como a Eliza dizendo "vou ter um AVC" e "helpless" ter sido primeiramente pensado como "me mijando". Porque, ok, é verdade, eu traduzi essa música chapada, mas antes dela, eu tinha traduzido Satisfied chapada. Chapada a ponto de ter acordado no dia seguinte e tomar um susto porque não lembrava de ter traduzido a música. E daí ler o que tinha feito e estar lá "olho pra minha irmã e ela tá/ ME MIJANDOOOOOO" - assim mesmo, em caps e cheio de Os. E o lance é que quando fui traduzir Helpless na noite seguinte, já calibrada de ter acabado de traduzir Baile de Inverno, eu ainda não tinha encontrado uma solução tradutológica razoável pra "helpless" então, por um tempo, a Eliza cantava que estava se mijando.
Isso saiu, é claro. Mas o lance é que parar e ler a letra de Helpless me fez perceber que a Eliza é meio maloca. Ela canta fofinha e tal, mas, bicho, ninguém tem o flow que ela tem.
Alguns desafios e soluções:
1. a Eliza basicamente só usa versos de duas sílabas, o que é IMPOSSÍVEL de fazer em português, então, sim, ignorei isso
2. VOCÊ SABIA que essa música tem referência a BOXE?! pois é. "down for the count, and I'm drownin' in 'em". então, lá fui eu pesquisar sobre boxe. a real é que o histórico de pesquisa de tradutores é o histórico de pesquisa mais insano que existe >> depois de muito pesquisar e debater com minha amiga Jumed, o verso ficou "me afogando neles, eu fui derrubada"
3. O "uuuuh" que as mulheres cantam ao fundo é um eco das rimas da Eliza e simplesmente não tava funcionando em português >> troquei as rimas terminadas em "ê" (você/ fazer/ rolê/ ser/ valer) e em vez das mulheres cantarem "uuuuh", elas cantam "eeeeeh", fica até festivo
4. O DIÁLOGO HAMILTON/ ANGÉLICA/ ELIZA!!!!!!! Ok!!!!! VAMOS FALAR SOBRE ESSE DIÁLOGO. O original, caso vocês não se lembrem é:
[HAMILTON]
Where are you taking me?
[ANGELICA]
I'm about to change your life
[HAMILTON]
Then by all means, lead the way
[ELIZA]
Elizabeth Schuyler. It's a pleasure to meet you
[HAMILTON]
Schuyler?
[ANGELICA]
My sister
[ELIZA]
Thank you for all your service
[HAMILTON]
If it takes fighting a war for us to meet, it will have been worth it
[ANGELICA]
I'll leave you to it
Na versão doida de zolpi no flow do momento, ou seja, a primeira versão, esse diálogo, ainda sem métrica, tinha ficado:
[HAMILTON]
Pra onde você tá me levando
[ANGELICA]
Tô prestes a mudar sua vida
[HAMILTON]
Então, por favor, seja minha guia
[ELIZA]
Elizabeth Schuyler. É um prazer conhecê-lo
[HAMILTON]
Schuyler?!
[ANGELICA]
Minha irmã
[ELIZA]
Obrigada por todo seu serviço
[HAMILTON]
Se levou uma guerra pra nos
conhecermos, então valeu a pena
[ANGELICA]
Vou deixar vocês, qualquer coisa acena
BOM. essa versão claramente não funcionava. claro, tava fora da métrica. mas, até aí, muita coisa tava fora da métrica. o lance era outro, mas eu ainda não sabia exatamente qual. então, o que eu fiz? isso mesmo: fiquei obcecada.
sério. não consigo começar a explicar o tanto de tempo que fiquei nesse mísero diálogo, lendo e relendo. e o problema tava inteirinho nas rimas. no fundo, eu sempre soube. mas é que, assim, cês me perdoem, mas eu sou uma shipper de hamgelica. entendo e concordo que a eliza e o hamilton são um casal bem melhor e bem mais saudável, mas isso não tira toda a dor que sinto pelo não-casal angelica e hamilton. esse é o verdadeiro motivo que voltei ao psiquiatra (não é, não). então me doeu um pouco, mas tive que mudar o verso do Hamilton. ele precisava rimar com a eliza.
o que não vejo tanta gente falando sobre tradução assim de boa na internet é que, pra traduzir, a gente tem mais que entender o texto, mas analisá-lo. e a real é que, em hamilton, todas as rimas só acontecem quando 1. um personagem quer mostrar suas habilidades; 2. um personagem concorda com o outro. e, nos dois diálogos dessa cena (o que aparece em satisfied e esse) a questão da rima é fundamental. porque a angelica não rima com o hamilton de primeira, só quando ele se iguala a ela. e, quando ela volta pra apresenta-lo pra eliza, ela não volta a rimar. e o hamilton saca. e rima com a eliza:
Belê, belê! É disso que eu tô falando!!! Por favor, uma salva de palmas à tradutora maluca: Clara Browne!!!
Tá, mas eu nem sei como começar a falar dessa música. Essa é, de longe, a minha música preferida nesse musical. Cantada pela minha personagem preferida e com quem me identifico mais do que gostaria. Satisfied, assim como My Shot, foi uma dessas músicas que eu sabia que tinha que ter uma dedicação extra e que seria um desafio gigantesco. Também passei semanas e mais semanas pensando nela, fui tateando a música, pensando em um versinho aqui, outro acolá. E, sim, a primeira versão foi chapada de zolpidem, porque, como vocês já entenderam agora, zolpidem está pro meu trabalho de tradutora como cocaína está para os capitalistas (isso foi uma piada!!!! eu NÃO sou viciada em nenhuma substância!!! também NÃO sou a favor do uso de drogas para trabalhos, quaisquer que sejam!!!! também sou contra capitalistas!!!!). Mas, sério, eu tenho aqui registrado no zap que, no dia 12 de março de 2019, eu mandei pra Jumed as seguintes mensagens:
[01:08, 12/03/2019] Clara Browne: Eu tô chapada de zolpidem e tenho aula amanhã cedo
[01:09, 12/03/2019] Clara Browne: Mas traduzi mais ou menos o rap da Angelica
[01:09, 12/03/2019] Clara Browne: Eu me lembro daquela noite, eu vou me arrepender pelo resto da minha vida
Eu me lembro daqueles soldados tentando ser irados e criar um clima
Eu lembro das velas como um sonho irrisório sem tempo-espaço disposto
Mas, Alexander, nunca vou esquecer do momento em que vi seu rosto
E isso segue até o verso "At least I have his eyes on my life".
Também queria deixar registrado que, depois de tudo isso, a primeira coisa que a Jumed disse foi me perguntar que aula que eu tinha. Um desacato. Depois ela disse "não sei se funciona, mas amei a IDEIA" e eu respondi que também não sabia se ia funcionar e, às 8:30 da manhã, disse: "Ow, acho que vou traduzir Helpless pra 'me mijando'", ao que Jumed disse que se identificava e que "me mijando é 100% meu mood ultimamente". Fico satisfeita (han han?!) em poder dizer a vocês aqui hoje que Jumed não se mija mais. Agora, às 15:28 desse mesmo dia, depois de ter feito um primeiro ajuste de Satisfied, eu escrevi pra Jumed: "talvez eu seja um gênio". Minha amiga Anna Vitória tem razão, o zap é o romance epistolar do nosso século.
Enfim. Voltando pra Satisfied. Essa foi uma das músicas a que mais voltei. Sempre parecia que tinha algo a mais pra fazer. Chegou um ponto que decorei a tradução. Eu cantava no banho testando opções pra ver o que podia melhorar. Fiz isso com muitas músicas, é verdade, mas Satisfied foi tanto que até hoje eu tô no banho e de repente me pego cantando "Eu me lembro daquela noite, vou/ me arrepender por toda vida/ me Eu me lembro daqueles soldados/ tentando ser irados e criar um clima". Como vocês podem notar, muita coisa foi ajustada, mas a base eu até que acertei bem de primeira. Eu também cantei essa música em português num karaokê de aniversário daquele ano. Perdão a todes mis amigues que estavam lá.
Agora, uma das coisas legais de ter mandado a primeira versão pra Jumed é fica bem mais fácil de mostrar as mudanças pra vocês. Por exemplo, "I wanna take him far away from this place/ then I turn and see my sister's face/ and she is..." primeiro era "Eu quero o agarrar como um ímã/ Mas eis que vejo minha irmã/ e ela tá...", o que ficou razoavelmente diferente da versão final: "Quero o levar, comê-lo como maçã/ Mas eis que vejo a minha irmã/ e ela tá...". A referência bíblica, a aliteração, a rima... Não é tanta mudança, mas é outra história.
Alguns desafios e soluções:
1. O grito bêbado do Laurens podia ter muitas possibilidades. Uma delas, inclusive, era BELEZINHA, GALERA! >> mas fico "Belê! Belê!" e eu amo
2. REWIND >> gente, não dava pra dizer REBOBINA. Olha o tamanho dessa palavra!!!!! Tem o dobro de sílabas!!! No fim, na vdd, ficou com mais sílabas mas funcionou quando colocado no tempo e nos versos:
A parte mais engraçada: tá, mas isso aqui... arte...
A parte que me dá mais orgulhinho: tudo, tudo mesmo, não tem nada nessa tradução que eu não fique abismada comigo mesma kk, mas acho que a que acho mais foda é essa aqui
Cada dia mais curiosa pra ver essa montagem!
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