Referências bibliográficas: os 09 (nove) livros que estou "lendo"
Falaí, astronautas e clarividentes! Esses dias me dei conta de que tô lendo 09 (nove) livros, o que é um número absurdo simplesmente porque não existem 09 (nove) livros no mundo. Mas ok. Digamos que existem. E digamos que estou lendo esses 09 (nove) livros que existem no mundo. Continua sendo um absurdo, porque eu nunca li um livro. Nunca. Eu nem sei ler. Eu fui desalfabetizada. Mas cá estou.
Contei isso pra uma amiga e ela disse: "não acredito que você finalmente vai ler um livro". É impactante, eu sei, mas digo aqui o que disse a ela: acho que, lendo nove livros, no fundo, não tô lendo nenhum. Então, é essa a minha defesa. Que claramente (han han?! meu nome é clara... claramente...) é uma defesa de quem nunca leu um livro.
De qualquer maneira, achei que seria legal compartilhar essas leituras. Na internet, a gente sempre fala de livros que lemos ou que queremos ler, mas sinto que não falamos muito sobre o que estamos lendo. E, pelo menos na minha experiência, é durante a leitura que os pensamentos mais acontecem. Depois, tudo vira resquício. Ou, pelo menos, é assim no caso de pessoas que não têm memória (p. ex., eu).
Assim, aqui vão os 09 (nove) livros que estou "lendo".
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CORTÁZAR, Julio. O Jogo da Amarelinha.
um dia tive uma crise de insônia e, às 3hs da manhã, peguei esse livro pra ler. uma decisão doida, tô ligada.
apesar de gostar mt do cortázar, nunca achei que leria esse livro por um único motivo: logo na primeira página já começam dizendo OLÁ EXISTEM DUAS FORMAS DE LER ESSA HISTÓRIA CÊ ESCOLHE, o que me fez acreditar que eu nunca saberia fazer essa escolha.
acontece que, às 3hs da manhã do segundo ano da pandemia, decidi tentar as duas formas. então, primeiro, li o capítulo um, mas não gostei muito. então, li o capítulo 73 e foi DO CARALHO. bom pra porra, pra buceta, pro palavrão que cê quiser. foda de bom. não tão sexual quanto minha escolha de vocabulário aqui, mas bicho!!! então, né, continuei.
em algum momento da minha leitura, dormi. voltei a ler mais um dia e continuou bom. mas daí não peguei mais pra ler, porque, né, tô lendo 09 (nove) livros. mas não quero o considerar abandonado. ele é bom demais. e, tipo, eu demorei 5 meses pra ler um livro de menos de 100 páginas da clarice lispector. já tô a mais de um ano lendo paulo freire. eu acredito que continuarei. tô lendo.
um trecho aleatório que grifei: às 3hs da manhã, em uma crise de insônia, eu não podia estar com um lápis mesmo. depois, esse livro é do meu pai, não quero anotar nele. mas, ó, é top.
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DEBRAY, Régis. Transmitir - O segredo e a força das ideias.
não sei o que acontece com a minha orientadora, mas ela tem essa capacidade muito peculiar de indicar livros com nomes que soam como autoajuda ou uns guias espirituais, mas na verdade são um rolê acadêmico cínico anticapitalista. não que eu ache isso ruim, longe disso; só é uma característica muito específica dela que me intriga.
esse livro não tô lendo sozinha, mas sim junto com um pessoal do grupo de estudos. é bom. estamos lendo bem devagar - um tópico por encontro -, o que é uma delícia porque dá pra gente elaborar muita coisa boa e dar umas risadas sexta-feira de manhã, quando tá todo mundo ainda com sono e o cabelo desgrenhado. é dez.
sobre o livro em si, é aquela coisa né: francês. então, tipo, tem seus momentos de "ô bb diz isso não" - mas, pra ser honesta, não são tantos quanto normalmente acontece com outros franceses. o debray levanta pontos muito bons e frisa a importância de se pensar técnica e discurso. ele usa o cristianismo como ~case de sucesso e tem um tópico inteiro que ele brisa sobre anjos serem mídiuns e faz muito sentido, apesar da minha educação cristã vir inteiramente de Jesus Cristo Superstar. os momentos de hate gratuito aos estadunidenses me divertem demais.
tem me ajudado a pensar bastante coisa sobre a minha pesquisa e, admito, me convertendo à midiologia. fazer o quê? adoro um acadêmico anti-capitalista impaciente.
um trecho aleatório que grifei: "[...] o resultado de um processo de transmissão não tem os caracteres da mensagem inicial. Para fazer crescer uma ideia, seja ela qual for, importa começar por alterá-la, ou deformá-la, para reformá-la de uma forma diferente."
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FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido.
quando ainda existíamos do lado de fora, no segundo dia de 2020, eu tava hospedada na casa da minha amiga e queria ler um livro antes de dormir. acontece que o interruptor era longe da cama, o que significava que eu teria que levantar pra apagar a luz e, me conhecendo, isso significa que iria acordar e demorar mais umas duas horas pra dormir. então, a melhor opção era ler no kindle, porque daí podia usar só a luz do dispositivo.
então, fui ver as opções de livros lá e acontece que, dentre os livros que não tinha lido nele contido, o que me pareceu o mais legal foi naquela noite foi pedagogia do oprimido. e, de fato, foi uma boa escolha. é um bom livro e, não obstante, dá sono. então passei a ler paulo freire pra relaxar antes de dormir, o que todo mundo pra quem conto isso acha um absurdo, mas ler anti-capitalistas é algo que de fato me relaxar, fazer o quê?
o livro é daora. mas daí começou a ficar muito chato, porque o paulo freire é INCAPAZ de escrever uma frase na ordem direta e chegou um ponto que eu não aguentava mais o tanto de vírgula que esse homem coloca - e isso digo eu, uma amante das vírgulas!! então dei uma longa pausa no ano passado - até porque tava lendo um monte de coisa pra prova de ingresso na pós, então precisei mesmo me concentrar em outras coisas.
daí voltei a ler, mas ficou muito sem graça quando o foco se tornou como aplicar a pedagogia em si. tipo, legal de ter, só não é pra mim, que não sou nem almejo ser professora ou pedagoga (pois, antes de qualquer coisa, sou uma mulher impaciente e, pra dar aula, é necessário paciência). mas daí eu lembrei de algo genial: PULAR PÁGINAS!!!!! incrível, melhor coisa que você pode fazer com um livro (ou seja: não lê-lo).
pular os capítulos com esse foco prático foi a melhor coisa que fiz. o livro voltou a ser legal. muitas ideias bacanas, muitos apontamentos interessantes e reflexões bem construídas. também admiro muito o paulo freire não se esquivar de questões difíceis pra esquerda, como quanto a revoluções que se tornaram ditaduras ou os líderes egoicos e a necessidade de poder dentro dos próprios grupos revolucionários. ele se atenta muito a esses pontos de problemas dentro do próprio movimento, o que é fundamental, porque esse parece ser o grande problema da esquerda, às vezes até mais do que o que deveria ser o grande problema, o capitalismo.
porque ainda não terminei? como disse, são muitas, muitas, muitas vírgulas. e esse é um livro que leio na cama, chapada de zolpidem. eu tô no 84% de acordo com o kindle e o fato de que a porcentagem não muda mesmo depois de tantas vírgulas me frustra. mas é um livro daora e que me trouxe e traz muitas reflexões. inclusive, falei muito dele no episódio do méxi-ap sobre amarelo (emicida) em que participei. enfim. um dia termino esse livro. #EuAcredito
um trecho aleatório que grifei: "[...] somente na medida em que os homens criam seu mundo, que é o mundo humano, e o criam com seu trabalho transformador, eles se realizam. A realização dos homens, está, pois, na realização deste mundo"
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HAN, Byung-Chul. A Salvação do Belo.
qualquer um que já falou comigo sobre internet sabe que sou hanzete. minha história com ele começa quando minha orientadora, antes de ser minha orientadora, me sugeriu de ler no enxame e a agonia do eros, dizendo que considerava os dois como um combo sobre internet. pois bem, o que descobri é que a salvação do belo completa a tríade.
algumas coisas que gosto no han: 1. ele se leva mt a sério; 2. ele cita intelectuais como a tahani cita famosos; 3. ele nunca explica nada mas, de alguma forma, cê entende tudo no final; 4. ele fala mal de todos os intelectuais que ele cita, com excessão do nietzsche (o que me faz rir toda vez); 5. ele odeia todos os jovens provavelmente; 6. ele não tem paciência alguma; 7. a vez que ele disse "em contraposição à suposição muito difundida (p. ex., por Walter Benjamin)" kkkkkkkk; 8. os livros deles são pequenos, o que é ótimo pra quem não gosta de ler (eu).
enfim. esse livro em específico é sobre estética da era digital. ele fala muito sobre a estética do "liso" (em inglês é "smooth", não sei como é em alemão, que é a língua original, mas aproximo esse conceito ao "soft" ou, como gosto de traduzir, o "suave") e tem me ajudado MUITO pra minha pesquisa. também ajuda que já li a agonia do eros, porque ele usa muito as noções de pornográfico e erótico que são estabelecidas lá (que são meio esquisitas umas horas, mas dá pra sacar).
acho que anoto coisa em praticamente toda página, meus post-its até acabaram, sendo que esse é um livro de 113 páginas e eu tô na 78. na real, já era pra eu ter terminado esse livro. acontece que, como é pro mestrado, não posso lê-lo da forma que gosto de ler o han: chapada de zolpidem. então acaba que tenho demorado mais porque tenho que encaixá-lo com as outras coisas que tenho pra fazer e lidar com a falta de concentração que tenho ao longo do dia. de qualquer forma, é uma leitura muito divertida, mas talvez eu não saiba me divertir.
um trecho aleatório que grifei: "O fotógrafo despista o olhar do que propriamente interessa. Faz algo lateral se tornar principal, ou ao menos subordina um ao outro. O belo também se encontra nas proximidades, nas margens. Não existe algo que interessa e que seja belo."
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HAN, Byung-Chul. Bom entretenimento.
quando comprei a salvação do belo, aproveitei pra comprar também esse livro aqui - em grande parte porque pensei "po, han falando mal de entretenimento vai ser bom demais", mas a ideia não era ler agora. acontece que, como falei, gosto de ler o han chapada de zolpidem. meu cérebro faz boas sinapses, eu rio e daí durmo. é perfeito. acontece que, tendo que ler a salvação do belo pro mestrado, não podia ler chapada de zolpi. então, o que fiz? isso mesmo, comecei a ler bom entretenimento como um bom entretenimento antes de dormir.
eu nunca sei se o han ia gostar de mim ou me odiar. mas admito que adoraria ser a sugar baby acadêmica dele. porque ele é doido. mas acho que ele não sabe disso, o que me diverte. na vdd, o que eu queria mesmo era ter um jantar regado de vinho com o han, o tom zé, a anna vitória e a tradutora do bong joon-ho no oscar, mas sinto que isso é pedir demais. ser sugar baby acadêmica do han, estranhamente, parece mais simples, apesar de ainda muito longe da minha realidade.
esse é o livro que tô mais no comecinho mesmo, porque ele realmente não é a prioridade. esse é o maior livro dele dos que já vi/ li (206 páginas) e o que posso dizer até agora é que amei que ele coloca umas citações no começo de cada capítulo (ele não faz isso nos outros livros) e que aqui é onde fica mais clara a formação em teologia dele. nos outros livros, dá pra sacar também, mas tem que estar mais esperto. nesse aqui, o primeiro capítulo já abre falando da paixão segundo são matheus.
aproveito pra deixar um fun!fact: o evangelho que mais li foi o do matheus, porque resolvi fazer uma análise comparada desse evangelho (não me perguntem por que esse em específico pois não lembro) ao filme de jesus cristo superstar. aliás, será que o han gosta desse musical? será que o han gosta de alguma coisa que não seja nietszche? será que ele gosta de drogas?
um trecho aleatório que grifei: "Uma mudança fundamental começa a se desenvolver no que diz respeito à compreensão do mundo e da realidade."
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HOLLANDA, Heloísa Buarque de. As 29 poetas hoje.
fazer o quê? infelizmente, gosto de poesia. o problema é que, hoje em dia, a única poeta viva e publicando coisas que gosto é a helena zelic (a quem fico muito feliz de poder chamar de amiga, porque além de boa poeta, ela é uma pessoa ótima). mas, assim, só a lenis não é o suficiente. devem existir mais poetas boas por aí.
daí que, felizmente, gosto da heloísa buarque de hollanda ou, para as pessoas que já conversaram com ela em pessoa (eu!!! dá pra acreditar?! um dos grandes momentos da minha vida), a helô. e acontece que ela lançou uma coletânea de poetas feministas atuais, então decidi comprar e ler pra ver se encontro outras poetas que gosto.
na introdução do livro, a helô coloca muito a influência da ana cristina cesar nessas poetas - o que faz bastante sentido. mas, pra ser honesta, a ana c é a poeta marginal que menos gosto. porque a ana c é bem deprê e não gosto de coisas deprê. também porque tem essa coisa dum verso muito longo e daí parece prosa e uma das minhas coisas preferidas em poemas é quando eles não são prosa (mais um motivo pra odiar franceses: eles tinham que inventar poema em prosa?! sempre estragam tudo).
sobre o livro em si, o grande problema é o que já esperava: em geral, não costumo gostar de obras que são explícitas sobre um tema (vide citação de a salvação do belo), e essas poetas são bem explícitas em seus temas feministas. entendo a questão. já fiz, inclusive, poemas longos e explícitos com temas feministas. mas, honestamente, era coisa de quando era 2014 e a gente postava essas coisas no feicibúqui achando que podíamos usar a plataforma em prol de movimentos revolucionários e que não estaríamos à mercê das mudanças de técnicas algorítmicas criadas por neoliberalistas.
enfim. tô lendo esse livro bem aos poucos, mais como consulta do que como leitura corrida. afinal, é poesia, a forma de ler é outra. mas, dos poemas que li, achei o que normalmente acho de poemas atuais: longos demais. amo poesia marginal por um motivo e esse motivo é que é curto, excelente para pessoas como eu, que não gostam de ler. de qualquer forma, sei que existem bons poemas longos e tenho a esperança de encontrar algo que goste nessa coletânea.
um trecho aleatório que grifei: nada por enquanto
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MARONA, Leonardo. Não vale morrer.
quando chega o segundo ano de uma pandemia que nos obriga ou deveria obrigar a ficarmos em casa, chega um ponto que faz muita falta entrar numa livraria. a intenção não é nem comprar nada, só ver os livros, os lançamentos, as editoras que têm grana pra pagar estar no estande central, ver a disposição dos mais vendidos, passar pelas estantes pensando li/ não li como quem pega um trevo pra dizer bem-me-quer/mal-me-quer. cê nem quer comprar nada, cê só quer estar ali, vendo os livros novos e sabendo que você pode levar algum se quiser. ou pode só sentar num canto escondido e ler algo por um tempo. trocar um papo com um livreiro, se meter na compra de alguém, socializar. quando chega o segundo ano de uma pandemia, socializar faz muita, muita falta.
foi assim que caí no clube de assinaturas da macondo. não que dê pra socializar. mas, pelo menos, me dá aquela sensação gostosa de entrar em contato com um livro que nunca vi ou ouvi falar antes. ter aquele sentimento de descobrir um livro, em vez de buscar saber dele na internet. não bastando, essa assinatura também me dá o sentimento de surpresa que falta na vida pandêmica. de repente, um dia, quando menos espero, PA! chega um presente pra mim aqui em casa. nada é tão gostoso quanto a surpresa de um mimo. e, não obstante, é ainda uma forma de apoiar uma editora pequena, que publica poesia, e que faz um trabalho muito bem feito e que gosto muito.
então, um dia eu tava aqui em casa fazendo alguma coisa que tinha que fazer quando me toca a campainha e o entregador grita com aquela voz grossa dele: CORREIÔ! era pra mim e era esse livro. e esse livro tem uma capa LINDA. as folhas têm uma textura muito gostosa. a inclinação da dobra é perfeita. e ainda por cima tem a coisa mais importante que um livro pode ter: um cheiro bom.
raramente começo a ler um livro no dia que ele chega em casa. mas nessa coisa de clube de assinatura, faço o que costumo fazer nas livrarias: ler o primeiro parágrafo sem ter lido a contracapa ou a orelha (não gosto de saber as histórias).
o lance é que o começo desse livro é LINDO. lindo mesmo. tem uma energia meio fluxo de consciência sem ser fluxo de consciência, junto a certos pedidos de perdão dos quais me identifiquei muito, muito mesmo. mas eu já devia saber, porque o livro é dedicado "a todos os nascidos nos 1980 e 1990 e que cometeram o crime de todo modo imperdoável de escrever poesia ou algo parecido". e, bom, essa sou eu.
o resto do livro não tem uma energia tão poético-melancólica quanto o primeiro capítulo, que é esse fluxo de pedidos de perdão. é mais seco. me lembra muito algumas pessoas que conheço do mundo dos livros. muito bem escrito e, importantíssimo: com capítulos curtos. deus, como amo capítulos curtos.
tenho lido devagar, antes de dormir, quase toda noite. tem sido uma leitura muito gostosa e espero que continue assim. se alguém se interessa pela história, é sobre um livreiro poeta-operário que agora tá sóbrio e registrando momentos da vida dele. tem poemas no meio. poemas que, particularmente, não gosto, mas que são a cara do narrador/ personagem principal. enfim, tenho gostado muito.
um trecho aleatório que grifei: não tô grifando esse livro, mas "Perdão por me deixar inocular pelo desamparo geral, desesperança cálida dos estáveis engajados, pânico pela sobrevivência do resto. Perdão porque já nem falo mais em literatura com a empolgação que era uma nota do meu próprio charme, não sacudo mais nas cadeiras e, quando leio ou escrevo, como agora, minha intenção é tão somente não capitular. Perdão porque me escondo das minhas chances nos buracos da minha sorte e não resta sintonia na antena que precisa ver o mundo e dizer que coisa incrível é o mundo. Perdão porque eu penso que, se o mundo parece incrível agora, e apenas porque não sou capaz de compreendê-lo, eu não o reconheço ou a quem se adapta a ele, mais ainda, ele está sendo moldado para que desapareçam os que são como eu."
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SHELLEY, Mary. Frankenstein.
eu nem sabia que um dia quis ler frankenstein quando, no fim do ano passado, perguntei pros meus pais se a gente tinha o livro em casa e eles responderam: sim, você que comprou. então, surpresa! eu já quis ler esse livro antes na vida.
o que dizer? um dia acordei e pensei: po, vou ler frankenstein.
decidi começar a leitura numa viagem no fim do ano passado, quando alugamos uma casa por uns dias pra nos mantermos isolados, mas fora da cidade. o que aconteceu? li o primeiro capítulo e mais nada porque só fiquei na piscina. não me arrependo.
acontece que eu tava gostando do livro. então, quando voltou a vontade de ler, no começo desse ano, repeguei. e tô gostando muito. amo mulheres escrevendo homens. amo pra caralho. é sempre engraçado. por mais que frankenstein não seja um livro engraçado. é na verdade bem melancólico. mas às vezes acho engraçadas coisas que não são muito engraçadas (como o han ou as histórias da minha amiga sofia) (te amo sofi).
mas daí acontece que parei de novo a leitura porque, bom, como já disse, tô lendo 09 (nove) livros e voltar agora tá difícil porque, pra ser honesta, esqueci quem é quem mas não quero ler tudo de novo (cinco capítulos), então tô nessa crise idiota, mas continuo pensando sobre o livro. porque é bom. e porque quero e vou continuar.
um trecho aleatório que grifei: não tava com lápis quando tava lendo
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SIMONDON, Gilbert. Do modo de existência dos objetos técnicos.
gente. plmdds. não leiam esse livro. de vdd.
tô lendo pra uma matéria da pós e juro por deus sem figas que teve um dia que o prof falou "a transindividuação é e está no processo da individuação do indivíduo pré-individuado". foi na primeira aula que assisti dele e eu tava preocupada com questões familiares no dia. devia ter desistido ali, mas falei nããão vamoaí, como se eu fosse de fato ler 50pgs desse cara por semana pra aula, risos.
então, o que posso dizer?
é difícil pra caralho. é francês. é dos anos 50. o maluco quer fazer filosofia a partir das máquinas. é um surto. muito denso, o cara manja muita muita filosofia (o que eu não manjo), fala altas brisas super abstratas e, quando vai dar exemplo, fala de motor. MOTOR!!!!!! COMO SE PESSOAS DE HUMANAS SOUBESSEM ALGUMA COISA DE MOTOR!!!!!!!!! COMO SE PESSOAS DE EXATAS FOSSEM SE INTERESSAR POR FILOSOFIA!!!!!! COMO SE PESSOAS DA BIOLÓGICAS NÃO ESTIVESSEM USANDO DROGAS!!!!! o que aprendemos com simondon é: conheça seu público.
tô entendendo alguma coisa? provavelmente não. mas tô fazendo matéria como ouvinte, então tudo bem se não entender muita coisa ou mesmo tudo. sei que vou largar o livro porque puta que me pariu, mas por enquanto tô lendo. e também tô curiosa pra aula que vamos falar de inteligência artificial.
um trecho aleatório que grifei: "Nos dois casos a memória permite uma autorregulação, mas a memória do homem permite uma autorregulação segundo um conjunto de significações válidas para o ser vivo, que só podem se desenvolver nele, enquanto a da máquina estabelece uma autorregulação que tem sentido no mundo dos seres não vivos."
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E esses são os 09 (nove) livros que tô lendo!
Como podem ver, a forma que leio é, em geral, bem dispersa e grandes pausas na leitura não é algo que vejo como problema. Pra ser honesta, essas pausas são importantes pra que continue a ler o livro prestando atenção ao que tá escrito e sem passar raiva porque não aguento mais ler.
Sou uma leitora lerda em dois sentidos: sou realmente devagar no ato da leitura em si e no tempo que levo no processo todo de ler um livro. Isso acontece porque eu penso muito, então é difícil silenciar minha cabeça pra que consiga dar espaço às palavras escritas de outros. Também é fácil me perder em pensamentos e nunca mais prestar atenção no que tá escrito. Então, ler, pra mim, é um processo árduo que me toma muita energia.
Outra coisa é que, apesar de lerda, sou impaciente. Então, o que costuma acontecer é que enjoo da história ou do estilo de escrita com facilidade e, daí, abandono o livro. Me permitir essas longas pausas é algo que me ajuda a manter o interesse pelo livro ao mesmo tempo que me dá o tempo de processar todos os meus muitos pensamentos.
Por hoje, é isso! Se quiserem me contar do que cês estão lendo, se leram ou querem ler algum desses livros, como é o processo de leitura de vocês ou qualquer coisa do tipo, comentem aí. Se quiserem saber mais sobre a minha relação com a leitura, escrevi sobre como não amo ler lá em 2017, logo depois de me graduar em Letras, ironicamente. Minha escrita tá diferente, mas o sentimento permanece.
fui 🌻
Super me identifiquei com a sua "lerdeza" pra ler. Vim da geração de crianças orgilho dos pais, que lia livros rápida e vorazmente mas agora eu demoro um mês pra ler um Han (aliás já pus A Salvação do Belo no carrinho kk)
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