Referências bibliográficas: o que digo que vou ler mesmo sabendo que nunca li um livro
Como vira e mexe me pedem dicas de leitura - o que é hilário dado que eu nunca li um livro -, decidi compartilhar mais aqui no blógue algumas das minhas referências bibliográficas. Essa é uma prática que comecei no tuíter no ano passado, mas, sabe, morte ao f*o.
Comecei outro dia contando dos 09 (nove) livres que tô "lendo", porque acredito que é o que a gente tá lendo que acaba sendo o que mais transparece como nossas referências em conversas e textos, dado que tá mais fresco na cabeça e ainda estamos elaborando aqueles assuntos. Mas, hoje, decidi fazer algo diferente e compartilhar, em vez dos livros que já li, os livros que tenho querido ler.
O que posso dizer? Essa coisa de mestrado é foda, bicho. De repente, você se vê cercada de pessoas interessantes que sabem ler e daí você é levada pro lado sombrio da força e acredita que existem livros pra se ler. Logo você, que nunca leu um livro. Mas dá um xabu na sua mente e, quando cê se dá conta, cê tá "lendo" nove livros ao mesmo tempo e ainda tem mais sabe-se lá quantos na lista de Para Ler (porque, aparentemente, isso é algo que você tem agora. uma lista. de livros. que vergonha).
É difícil. Mas acontece. Vou ler algum desses livros? Não sei. Talvez na vida. Final do ano passado descobri que tinha comprado Frankenstein pra ler quando tinha uns 13 anos e só fui pegar o livro agora. Então, tipo, sabe-se lá. A vida teoricamente é longa. Tem tempo. E se não tiver, tudo bem, porque daí acabou também e não tenho que pensar mais nisso, porque não tenho mais que pensar.
Então, sem mais delongas, eis aqui todos os livros que quero ler no momento, mas provavelmente não vou, porque não sei ler!
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BARTHES, Roland. A câmara clara
indicação do meu pai. daí veio o han falar dele também, daí, poxa, meu pai e meu daddy falando do mesmo livro do barthes, é foda né. e o livro é curtinho. é pra pesquisa, po.
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BECKER, Howard. Art Worlds
ENTÃO. comecei a ler esse livro quando tava escrevendo meu projeto de mestrado e tava gostando, mas o pdf roubado que arranjei era muito podre, aquelas letrinhas minúsculas do inferno e, como já disse aqui, eu não me odeio. mas agora arranjei um pdf roubado bonitão e acredito que irei a diante. por que acredito? porque sinto que seria amiga do becker apesar de ter acabado de descobrir que ele é branco, o que me decepciona porque tinha imaginado um cara negro jazzista raiz revolucionando a forma de se pensar arte e sociologia e essa minha visão é obviamente muito melhor do que um branco jazzista.
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BOURDIEU, Pierre. As regras da arte
eu fico mentindo que li esse livro e não posso mais fazer isso porque agora minha pesquisa de fato pede para que eu leia esse livro. ser pesquisadora é uma merda quando você foi vagabunda na faculdade. e eu digo isso sem nem ter sido vagabunda na faculdade!! eu também fiz letras, o que não tem nada a ver com o bourdieu (mentira, tem sim) (mas o povo da letras não lê ele não) (ou talvez eu tenha sido vagabunda na faculdade, vai saber).
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DEBRAY, Régis. Manifestos midiológicos
outra dica da minha orientadora, que não sabe que não sei ler. mas sabe que que é? é que o foda é que eu gosto de intelectual impaciente. talvez porque é o que eu almeje ser. pois por mais que eu nunca tenha lido um livro, sei que tenho esse potencial em mim. afinal, impaciente eu já sou. foda mein.
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FLUSSER, Vilém. Filosofia da caixa preta: ensaios para uma filosofia da fotografia
falei de ler Barthes pra minha orientadora e ela disse que o flusser é melhor pra minha pesquisa. então, o que fiz? isso mesmo: decidi ouvir minha orientadora. só que ela também disse que ele é uma resposta pro Barthes, então agora vou ter que ler os dois né não tem jeito.
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LORDE, Audre. A unicórnia preta.
não apenas infelizmente gosto de poesia, mas também infelizmente pirei na feira do livro da unesp. mas tipo tudo bem porque audre lorde!! traduzida pela stephanie borges!!
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MARIGHELLA, Carlos. Chamamento ao povo brasileiro
comunismo!!! ação direta!!! críticas à esquerda também!!! como escreveu Marighella, não com essas palavras: "bora, Brasiu!"
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MOROZOV, Evgeny. Big Tech - A ascensão dos dados e a morte da política
olha, vou ser honesta: não sei o que aconteceu aqui. mas vamo que vamo.
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ZELIC, Helena. A libertação de Laura.
ok, esse livro NEM LANÇOU AINDA. mas!!!! tá na pré-venda (já comprei o meu! tá com desconto!) e a lenis é a minha poeta preferida. gosto muito como ela articula política e a vida pessoal em formas poéticas (de maneira que o poema de fato pareça um poema e não um trecho de diário com as linhas quebradas*), e são poemas que, mesmo quando fortes, sempre me trazem um quentinho no coração. a lenis é uma amiga que gosto muito, mas a minha identificação com a poesia dela não vem da nossa amizade, mas da poesia em si. e, olha, já indiquei a lenis pra heloísa buarque de hollanda, então sou muito segura mesmo de que ela é uma boa poeta.
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Pra completar, outro dia disse pra minha terapeuta que tava pensando em ler Camus e ela me respondeu apenas: "faz sentido". Então, fica aí essa informação também.
Agora, vou ler todos esses livros? Sejamos honestes, provavelmente não. Mas eu gostaria de acreditar que sim. Feliz ou infelizmente, me conheço bem o suficiente pra saber que isso não vai rolar ou, se rolar, vai demorar um bom tempo. Ou, mesmo que comece todos eles, alguns vão ser largados no meio. Tenho minhas apostas, mas isso vai ficar como segredo.
fui 🌻
*nada contra essa vibe trecho de diário com linhas quebradas se essa forma comunicar algo, como é o caso da ana cristina cesar (apesar que não são muito fã dela) (mas respeito o trabalho)
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