guia de presentes anticapitalistas para o surto capitalista de fim de ano (natal)
O natal está chegando e, independente do surto consumista que ele provoque, todo mundo quer ganhar presentes, até os anticapitalistas. Sabe, se passou um ano inteiro, foi difícil, todo mundo quer um agrado pra lembrar que é amado e cuidado e que sobreviveu a mais um ano. Anticapitalistas são humanos também!!! Todo mundo quer agrado!! E os anticapitalistas contra presentes... bom, esses não merecem carinho mesmo. Ganhar presente é bom demais. Por isso aqui vai uma lista de alguns presentes anticapitalistas para você presentear su amorzin esquerdista nesse natal. Ou em qualquer momento.
Então vamos lá.
Pra quem gosta de bons comes, uma opção MASSA (han han?!) é fazer uma cestinha com produtos do MST. E, ok, esse aqui tem que ver se tem na sua cidade, mas se esse for o caso, você super pode fazer um bem bolado com vários produtinhos gostosos pra su amor. Afinal, o caminho direto pro coração é o estômago! Além do mais, você ainda ajuda a luta pela Reformar Agrária e pode fazer do dia de compras um dia pra curtir um café e um bom papo no Armazém do Campo!
Aos que gostam de ler, já tô aqui rindo de cara que vou indicar isso, MAS cá estou indicando livros da Autonomia Literária. Li algum livro deles na vida? Não. Eu não sei ler. Mas tem o clássico ANTIFA- Manual Antifascista, do Guilherme Ziggy, o que acredito que influencie pessoas a baterem em fascistas, o que é sempre bom. Também me chamou atenção Colonialismo de dados: como opera a trincheira algorítmica na guerra neliberal; organizado por João Francisco Cassino, Joyce Souza e Sérgio Amadeu da Silveira. É um título dramático, mas a esquerda é dramática, né, não tem jeito. Tive aula com o Sérgio Amadeu esse ano e ele é uma figura e, mesmo que cê discorde dele, ele te põe pra pensar. E, por fim, achei Revolução Africana - Uma antologia do pensamento marxista; organizado por Jones Manoel e Gabriel Landi Fazzio, também interessante. É aquela coisa né, foda falar da ~África~ como se fosse uma coisa só e tal e esses títulos sempre passam essa energia, MAS convenhamos que é sempre interessante ler sobre vertentes do marxismo, então taí.
Existe uma porrada de livro anticapitalista por aí que não são da Autonomia Literária (ainda rindo dessa indicação). Tem, por exemplo, O Capital, do papai noel- opa, do Karl Marx, que, acredite, su amade não leu. Se elu disse que leu, elu mentiu. Vai por mim. Mas tem também muitos outros livros, como sl Mulheres, raça e classe, da Angela Davis, ou meio que literalmente qualquer livro canônico da literatura brasileira. Digita assim no google: cultura e política roberto schwartz pdf, que cê vai ter a explicação disso.
Ah, mas a pessoa gosta de poesia. Ok, dá Sangue Negro, da Noemia de Sousa. Moçambicana porreta da época da independência. Aproveita que tá no site e olha as coisas da Kapulana, que é uma editora que publica muita coisa de países africanos de língua portuguesa, mas não só, e tem como foco textos que contemplam questões que foram marginalizadas, principalmente voltadas às lutas identitárias, mas tem também coisas sobre refugiados, sobre culturas de países colonizados etc.
Clara, plmdds, estamos falando de UMA CRIANÇA! A Kapulana tem coisa à beça pra criança! Mas não gostou das ilustrações das mil opções? Beleza, dá então A vida não me assusta, que é o poema da Maya Angelou com quadros do Basquiat. Já educa direito: anticapitalista, antirracista, leitore de poesia e apreciadore de boa arte. E, se você é de São Paulo - SP, pode também ir na Casa de Livros, que é uma livraria independente especializada em literatura infantil. As donas são MUITO queridas e elas fazem seleções incríveis personalizadas pra vocês. É só entrar em contato ou ir lá. Falando por experiência, vale a pena ir lá, é uma gracinha! E você pode aproveitar pra dar um passeio pelo Parque Severo Gomes ali perto, além de ter a incrível experiência de pegar a linha lilás e ver o Borba Gato queimado! Programa perfeito pra um sábado de manhã.
Mas, ok, nem todo mundo quer de presente um livro. Tem gente que não gosta de ler, gente que não sabe ler, gente que é contra ler. Eu mesma, por exemplo, não tenho olhos. Depois de tempo suficiente no tuíter, fiz que nem o Édipo e arranquei os meus em um momento dramático. Também tem essa coisa de que esquerdista é foda, né, já lê demais. Tu quer ajudar a pessoa a descansar, não trabalhar mais. Ok.
Pra vestir melhor su anticapitalista, comprar coisa em brechó é sempre anticapitalista. No momento ando meio obcecada pelos acessórios da b.luxo, mas como sugere a semiótica do nome... eles são bem caros. É por essas e outras que sou anarco anti-capitalista. Para compartilharmos as riquezas. No Meu Comunismo, todo mundo vai ter acesso a roupas e acessórios bonitos e de qualidade! Todo mundo vai ser bonito e estiloso! Enfim. Também tô meio obcecada pela apresentação das roupas da Gertrudez, mas o site tá meio cagado aqui pra mim, então fiquem também com o instagram pra babarem nessa linda apresentação. Nem consigo prestar atenção nas roupas. De resto, procurem aí listas de brechós. Tem um monte pela internet.
Ainda para vestir su anticapitalista, você pode presenteá-le com uma camisa crítica. Não tem só camisa, tem ecobag, pôster, adesivo, até bandeira. Particularmente, gosto muito do cosmonauta soviético e da curda A resistência é a vida, mas tem várias legais, e eles costumam mandar um adesivo da zona antifa junto. Eu mesma tenho um colado no meu MacBook (ver tags). Essa loja, aliás, resolve bem também para caso de su amor ser cineasta, cinéfile (corte relações com essa pessoa!!) ou goste de artes plásticas! Tem umas bandeiras lindas - como a do Deus e o Diabo na Terra do Sol e a clássica Seja Marginal, Seja Herói, que, inclusive, posso dizer aqui tranquilamente que a grande famigerada maravilhosa Heloísa Buarque de Hollanda tem uma (não da camisa crítica, claro, ela é uma mulher de contatos e capital melhores do que os meus) pendurada enorme na sala dela. Eu sei porque eu vi. Mas isso é história pra outro dia.
Mas já que estamos falando do povo que gosta de arte e precisa se vestir melhor, cê pode dar uma roupa da hyun studio que, ok, não sei se é anti-capitalista assim, mas vou dizer que tô apaixonada pela parceria que fizeram com a Patricia Baik, tipo, olha essa brusinha!! Sem contar que apoiar artistas jovens sempre tem um componente anticapitalista. E claramente a Baik e todo mundo da Casa Ponte é anticapitalista... Me surpreenderia muito se não fosse. Até porque sou amiga pessoal da Marina Sader, de quem sou MUITO fã da arte e também recomendo como presente, e sei como ela é e o tipo de amigues que ela teria.
E já que falamos em pôsteres, a banca curva também tem uns pôsteres e gravuras legais. Minha parte preferida na verdade são os objetos, mas estão quase todos esgotados. Mas, sei lá, podemos ter gostos diferentes. Eu, na verdade, costumo achar 90% das coisas que as pessoas de esquerda gostam uó.
Acho que tá bom, né? Boa sorte a todes. Quem tiver dicas anticapitalistas para gastar capital, os comentários estão aí. Quem quiser me criticar, critique sozinhe em sua casa pois tenho nada a ver com isso.
Boas festas!!! E não se esqueçam que se alguém perguntar se é pavê ou pacumê, é só responder: é patê.
fui 🌻
Haha eu sou super capitalisma, tanto que devo ter entrado em quase todos os links. Ainda bem que vi seu post em fevereiro, assim não preciso comprar algo para me agradar (não por agora).
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